Pedra na vesícula — ou cálculo biliar — é uma das condições cirúrgicas mais comuns no Brasil, afetando cerca de 15% da população adulta. Na maioria das vezes não causa sintomas por anos, mas quando a dor aparece, costuma ser intensa e recorrente. Esta página explica o que são os cálculos biliares, quando é preciso operar e como é o atendimento especializado.
A vesícula biliar é um pequeno órgão em formato de pêra, localizado sob o fígado. Sua principal função é armazenar a bile, um líquido produzido pelo fígado que ajuda na digestão de gorduras. A vesícula não produz a bile, somente armazena.
A bile que é produzida no fígado, passa por canais biliares do fígado (ductos hepáticos e colédoco), e vai diretamente para o intestino (o duodeno), ou entra no interior da vesícula através de um canal chamado ducto cístico, para que seja armazenada.
Quando comemos – especialmente alimentos ricos em gordura – a vesícula se contrai, a bile retorna para o intestino (duodeno) através do ducto cístico e do colédoco, para auxiliar na digestão e absorção de gorduras e vitaminas.
As pedras na vesícula, também chamadas de cálculos biliares, geralmente se formam devido a um desequilíbrio nas substâncias presentes na bile, que é produzida pelo fígado e armazenada na vesícula biliar. A bile é essencial para digestão e absorção de gorduras e algumas vitaminas. A maioria dos cálculos é formado de colesterol ou bilirrubina e podem variar em número e tamanho, desde um grão de areia até uma bola de gude.
Existem alguns fatores que podem predispor ao desenvolvimento de cálculos na vesícula biliar (colelitíase) como:
Cálculos biliares acometem aproximadamente 15% da população adulta mundial e a incidência de cálculos biliares em pacientes submetidos a cirurgia bariátrica é de 53% 12.
Os sintomas do cálculo na vesícula biliar podem ser assintomáticos variar de pessoa para pessoa e podem incluir:
É importante ressaltar que nem todas as pessoas com cálculos biliares apresentam sintomas. Além disso, os sintomas podem ser semelhantes aos de outras condições médicas, portanto, é essencial consultar um médico para um diagnóstico adequado.
→ Entenda os sintomas em detalhe: Pedra na vesícula: sintomas, dor e como identificar os sinais
O diagnóstico de cálculos biliares geralmente envolve um exame físico e testes de imagem, como ultrassonografia ou tomografia computadorizada. Esses exames ajudam a visualizar a presença de cálculos e avaliar a saúde geral da vesícula biliar.
Embora nem todos os cálculos biliares possam ser prevenidos, algumas mudanças no estilo de vida podem ajudar a reduzir o risco de desenvolvê-los:
Quem desenvolve cálculos biliares pode experimentar uma variedade de consequências, dependendo da presença ou ausência de sintomas, bem como da localização e tamanho das pedras. Aqui estão os cenários mais comuns:
Nem todos os casos de cálculos biliares exigem tratamento cirúrgico imediato. A decisão pelo tratamento cirúrgico vai depender de alguns fatores como o tamanho dos cálculos, a presença de sintomas e condições clínicas do paciente. Quando os cálculos geram sintomas (conhecido como cólica biliar), postergar a cirurgia eleva a chance de complicações — entre 17 % e 20 % podem ter novo episódio de colecistite, coledocolitíase ou pancreatite antes da operação tardia3.
→ A cirurgia de vesícula é segura? Saiba mais: A cirurgia de vesícula tem riscos? Entenda as complicações possíveis
A decisão de tratar casos assintomáticos de cálculos na vesícula depende de vários fatores, incluindo o tamanho e o número dos cálculos, bem como o histórico clínico do paciente. Geralmente, os cálculos na vesícula que não causam sintomas não são tratados de imediato, mas em alguns há indicação de realizar a cirurgia para retirada da vesícula (colecistectomia)4:
Em resumo, a abordagem terapêutica dos cálculos na vesícula biliar assintomática é individualizada e compartilhada, levando em consideração riscos e benefícios, e a decisão de tratamento deve ser feita sempre em conjunto entre o paciente e o médico.
A maioria dos pacientes tem excelente qualidade de vida após a retirada da vesícula. O corpo se adapta ao fluxo contínuo de bile em semanas a meses. Uma pequena parcela pode apresentar sintomas persistentes — conhecida como síndrome pós-colecistectomia — que merece investigação especializada.
→ Veja o que muda: Vida sem vesícula: o que muda, cuidados e qualidade de vida · Síndrome pós-colecistectomia: sintomas, causas e o que fazer
Cálculos biliares são frequentes e têm tratamento definitivo. A cirurgia laparoscópica de vesícula é segura, com mortalidade menor que 0,1% em cirurgias eletivas e alta hospitalar geralmente no mesmo dia. A avaliação individualizada com um especialista em cirurgia digestiva permite decidir o momento ideal para operar e planejar o procedimento com segurança.
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A Dra. Hanna Vasconcelos é especialista em cirurgia de vesícula por videolaparoscopia e atende em Botafogo e Niterói.
Agendar consultaStinton LA, Shaffer EA. Epidemiology of gallbladder disease: cholelithiasis and cancer. 2012. ↩
Mohamed UA et al. Incidence of gallstone formation after bariatric surgery: systematic review. 2022. ↩
van Baal MC et al. Timing of cholecystectomy after mild biliary pancreatitis: a systematic review. 2012. ↩
European Association for the Study of the Liver (EASL). Clinical Practice Guidelines on gallstone disease. 2016. ↩
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